ANEMIA INFECCIOSA EQÜINA - Por Marcos Gabriel de Oliveira - CRMV 09763/SP

CONCEITO:
É uma enfermidade de características agudas ou crônicas, com manifestações de febre intermitente, depressão, debilidade progressiva, perda de peso, edema das partes baixas e anemia. A transmissão se dá por picada de insetos ou agulhas não esterilizada. Como atualmente não há vacinas nem tratamento para esta doença é preciso examinar os animais periodicamente (teste de Coggins), usar somente agulhas descartáveis e combater os insetos sugadores.

É um ARN - vírus da família retroviridae. O vírus filtrado que produz esta enfermidade pode persistir no animal infectado por vários anos e se crê esta sempre presente no sangue e nos tecidos do animal infectado. Pode também ser eliminado em algumas de suas excreções ou secreções, tais como leite, sêmem, secreções nasais e lacrimais, purina e materiais fiscais contendo sangue. O vírus é fortemente resistente aos desinfetantes químicos, ao calor, congelamento e secado.Se encontra protegido da luz solar, o sangue desidratado segue contendo o vírus, ao qual mantém sua virulência por vários meses.

EPIDEMIOLOGIA:
O vírus da AIE já foi identificado em todos os continentes, sendo que a disseminação se deu durante a II Guerra Mundial, a dificuldade do diagnóstico e persistência do vírus nos portadores por um período de muitos anos (até 18) tem resultado no embargo da introdução de cavalos em paises livre da doença, acarretando nos últimos anos problemas econômicos pela interferência em eventos esportivos. Todas as raças e idades de eqüídeos são suscetíveis. A doença tem sido associada com introdução de animais em baixadas e áreas de matas onde a população de insetos é alta (febre dos pântanos). Animais desnutridos, parasitados e debilitados são os mais susceptíveis.

DIAGNÓSTICO:
Clinicamente, deve se suspeitar de AIE quando houver períodos febris que se repitam, anemia sem babesiose ou outra enfermidade que propicie hemólise, hemograma e linfocitose relativa. Atualmente a prova de escolha é a imunodifusão em agar, comumente denominada prova de coggins. O resultado positivo desta prova é o diagnóstico final de AIE.
Porém os cavalos crioulos argentinos são os mais resistentes à doença.

PROGNÓSTICO:
O prognóstico é desfavorável e não há tratamento que elimine o vírus ainda que possa suplantar a sintomatologia.

CONTROLE:

A-Destruição de insetos e ratos nos estábulos (inseticidas). Drenar áreas alagadiças.
B-Desinfecção de todos os estábulos infectados, visando eliminar o vírus.
C-Cuidado com a esterilização de utensílios, instrumental cirúrgico e injeções.
D-Sacrificar todos os animais doentes, mesmo os que se recuperam.
E-Controle com quarentena (90 dias) com tomadas térmicas de todos os eqüinos que tiveram contato com os doentes.
F-Interdição de todas as cocheiras, haras ou criações que tiveram a doença.
G-Evitar que animais pastem em locais onde estiveram animais doentes (o vírus pode se conservar em temperatura ambiente por 5 a 7 meses).
H-Não devem ser usados na reprodução animais doentes ou suspeitos.
I-Controle intermunicipal e interestadual do transito de eqüinas.
J-Sacrifício e incineração dos eqüinas identificados como portadores.
K-Sempre, ao comprar, vender ou transportar o eqüino, consulte um veterinário regional, para ter segurança no sentido de evitar contaminações por vírus da AIE.
A legislação brasileira de saúde animal considera a AIE como de notificação obrigatória, devendo o médico veterinário comunicar a Casa da Agriculturaou órgão local da Secretaria da Agricultura o diagnóstico de casos da doença e proceder ao sacrifício dos reagentes a prova de coggins. O embarque e viagem de eqüídeos está condicionado a obtenção de atestado oficial em que conste a negatividade para a prova de coggins e, portanto, que o animal está isento de AIE.
Para fins de viagens, ingresso em exposições e similares, o atestado só é válido por 60 dias e, ainda que o Ag seja vendido comercialmente para o médico veterinário para fins oficiais, só são válidos atestados fornecidos por laboratórios do Ministério, Secretarias da Agricultura e os particulares devidamente credenciados pelo Ministério.

DICAS VETERINARIAS PARA UMA CAVALGADA TRANQUILA - Márcio Bertoldo Motta CRMV – SP - 7032


I – ESCOLHA DO ANIMAL

a) Procure um animal saudável.

Evite:

Animal com manqueiras

Pisaduras

Problemas de cascos, rachaduras, brocas.

Com idade inferior a 5 anos

b) Um animal que seja compatível com:

Seu peso e tamanho

Seu nível de equitação.

c) Animal calmo, dócil e que conviva bem em sociedade.

Animais nervosos, agitados e briguentos se desgastam facilmente e podem trazer problemas para os outros.

d) Confortável.

II- ALIMENTAÇÃO

a)Procure oferecer ao animal alimentos de boa qualidade, balanceado e na quantidade necessária para cada um.

b)Comece a tratar dos seus animais com antecedência, não deixe para dar ração somente na semana do passeio.

c)Durante a cavalgada, se for alimentar seu cavalo com ração, lembre-se, dê 1 e ½ hora antes de sair e 1 e ½ hora após a chegada. Com isto você evitará uma possível cólica.

III- TREINAMENTO

a)Procure trabalhar o animal diariamente, é melhor um esforço menor mas constante, isto é, diariamente, do que um grande esforço uma vez por semana. Com este treinamento diário, evitará que seu cavalo tenha problemas como: miopatias, alcaloses, acidose, laminite, etc.

b) Não deixe o animal parado na semana que antecede o passeio

c)Diminua a intensidade dos exercícios mas não pare.

d)Conheça seu cavalo, saiba do que ele é capaz.

e)Mantenha o cavalo sempre bem ferrado.

Cavalo com ferradura velha, isto é com mais de 40 dias – pode perder e pode mancar.

Evite ferrar seu cavalo na véspera do passeio, faça isto uns 5 dias antes *Sapato novo dói o pé.

IV- TRAIA

a) Escolha uma sela que seja confortável, não só para você mas também para o cavalo, afinal quem carrega é ele.

b) A manta deve ser macia e limpa, evitando assim pisaduras.

Verifique se nada vai machucar o animal e você com antecedência.

V- DURANTE O PASSEIO

a) Evite esforços desnecessários para o cavalo.

b) Verifique sempre o equipamento, se ele não está machucando o animal.

c) Forneça água boa sempre que tiver, mas evite que o animal cansado e quente beba muita água de uma só vez, pois pode causar choque térmico e cólica.

d) Sempre que parar por um tempo maior, retire a sela, para que o cavalo também possa descansar.

e) Fique atento ao seu cavalo, qualquer anormalidade procure o veterinário, ele estará a sua disposição para ajuda-lo.

Lembre-se : você é responsável pelo seu cavalo e que sem ele, não há cavalgada.

Bom passeio.

Márcio Bertoldo Motta

Médico Veterinário responsável

CRMV – SP - 7032

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